Bilhetes encontrados no esgoto da Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2, em Presidente Venceslau (SP), foram o ponto de partida da prisão de seis suspeitos por esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre eles, estava a influenciadora digital Deolane Bezerra e familiares de Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, principal chefe da facção criminosa. As investigações, feitas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), culminaram nas prisões desta quinta-feira (21).
De acordo com as informações veiculadas pela Agência SP, a Operação Vérnix, como foi chamada, começou há 7 anos, quando, em uma batida em uma das celas do presídio de Presidente Venceslau, policiais penais detectaram cartas e bilhetes descartados pelo esgoto.
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, investigadores detalharam que o material foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que passou a investigar o caso em conjunto com a Polícia Civil.
A apuração resultou na abertura de três inquéritos policiais e levou os investigadores até uma transportadora suspeita de operar a transferência de dinheiro para a facção.
Os dados obtidos da transportadora e um celular apreendido no local levaram os investigadores a entenderem que se tratava de uma organização altamente estruturada, com a participação de familiares de Marcola e da influenciadora Deolane, advogada que tem milhões de seguidores nas redes sociais.
Por meio da quebra do sigilo fiscal e bancário, a investigação descobriu que Deolane mantinha vínculos com a transportadora, de onde teria recebido transferências de dinheiro, e possivelmente com outras vertentes do crime organizado.
“Nós entendemos que, pelo poder econômico que adquiriu ao longo do tempo, ela funcionava como uma espécie de caixa do crime organizado. Eles [crime organizado} depositavam valores na conta dela, e esses valores se misturavam com o dinheiro de outras atividades dessa pessoa pública. Quando eles precisavam desse dinheiro, ele retornava ao crime organizado”, disse o delegado Edmar Caparroz. Segundo o delegado, não foi detectado qualquer prestação de serviços entre a influenciadora e a transportadora.
Segundo os investigadores, o grupo movimentou milhões de reais sem lastro econômico compatível, usava empresas de fachada, contas utilizadas para circulação de valores e aquisição de bens de alto padrão para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira, um dia após retornar da Itália, onde teria se encontrado com Paloma Camacho, sobrinha de Marcola, que seria responsável por repassar informações de dentro do sistema penitenciário, entre elas a divisão dos lucros da transportadora. Também foi preso Everton de Souza (conhecido como Player), indicado como operador financeiro da organização.
De acordo com a investigação, Paloma fugiu para a Espanha e está na lista vermelha da Interpol. Outro sobrinho, Leonardo, é procurado na Bolívia. Já Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e o próprio Marcos Camacho foram notificados de novas ordens de prisão nos presídios federais onde já cumprem pena.
Além das prisões, a Operação Vérnix obteve o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos — incluindo automóveis de luxo — e quatro imóveis vinculados aos investigados.
A ação contou com apoio operacional do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) no cumprimento das diligências. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a Operação Vérnix representa mais um avanço no enfrentamento ao crime organizado, especialmente no combate à lavagem de capitais e ao enfraquecimento das estruturas financeiras utilizadas por facções criminosas.